Crítica: Vertigem - Pedro Morais
3º disco de estúdio (solo) do mineiro que já foi zoado apresentado carinhosamente por Kadu Vianna como "o Fiuk do Cobra Coral" ao lado de Flávio Henrique e Mariana Nunes. Se nos anteriores a espinha dorsal das composições era o violão (confira nessa entrevista aos 23min20seg), aqui a produção de Gustavo Ruiz - irmão da cantora Tulipa - põe a guitarra pra funcionar. O vozeirão de Pedro rola solto mais em cima de riffs grooveados do que de harmonias cabeçudas, a exemplo da faixa de abertura Para repetir.
Já a experimentação com teclados aparece na sequência com a agitada Liga e a seresta bastarda Bilhete, que traz os versos de Mário Quintana "se tu me amas, ama-me bem baixinho / não grites de cima dos teus telhados, deixa em paz". A faixa título, psicodélica na linha da capa do disco, começa densa na bateria tribal e corda de guitarra solta timbrando pesada enquanto os sopros remetem ao arranjo Beatle de I am the walrus. O cantor com cara de bom moço dá tensão responsa nos vocais, inclusive no refrão com falsete - e depois sem. Bad ass.
Ao chegar na metade do álbum, aparece o primeiro acorde de violão. Apenas no finalzinho de A eternizar, que tem sonoridade etérea e vai divagando as metafísicas da vida: "do que somos, pra aonde vamos? / como vão saber agora? / se o que temos é impossível de compreender / demora". Seria o lado mais esotérico do mineiro. Também a recente revelação da cena local engajada (por assim dizer) Juliana Perdigão dá as caras em Nuvem. Ficou um dueto bacanudo se você se liga em efeitos de eco perdurando no final das frases com notas agudas. Eu me liguei. Mas na cadência lenta que alonga cada sílaba pronunciada no verso, entretanto. Nã-ahn. A onda pós Los Hermanos não é comigo.
Curva da noite mistura influência de duas bandas de rock que fizeram sucesso mundial mas estão separadas por algumas décadas. Começa tipo assim e depois do segundo refrão vem um solo mais ou menos nessa linha. Acho bem válido, esse recurso. Ainda mais se o artista/produtor tem banca. Porque sempre tem quem fale de "plágio", etc. Mas a verdade é, se o cara manda, bem mandado, não tem conversinha. E sim Pedro, deu onda. Falando nisso, a guitarrinha que abre Às vezes só também foi malandra. Timbragem woodstockiana sem cair no mutantismo. Fica aí um bom exemplo que distingue "influência" de "cópia": alguém pega uma linha já percorrida e vai adiante, não o contrário.
Contrariando a leveza e pegada grooveada que tomam conta do disco, O grão é exceção introspectiva, arrastada e densa até falar chega. Pedro também tem dessas facetas. E aí vem Ê, camarada! pra fechar no balanço, em tom de crítica social e com direito a alguns versos em rap - e em seguida na versão dubwise de Victor Rice, como bônus track.
O álbum foi lançado pelo selo Oi Música como premiação após o cantor se dar bem e conquistar o 2º lugar por voto popular no Festival Música Pra Todo Mundo (MPTM). Agora mais independente - desvinculou-se da produtora Cria Cultura, ligada aos trabalhos anteriores -, se arrisca em uma direção sonora mais "suja", propositalmente descompromissada e por que não dizer popular. Pedro quer ir além do formato MPB violão&voz, e quem sabe das montanhas da terrinha. Talvez o caminho seja esse, xará.
Já a experimentação com teclados aparece na sequência com a agitada Liga e a seresta bastarda Bilhete, que traz os versos de Mário Quintana "se tu me amas, ama-me bem baixinho / não grites de cima dos teus telhados, deixa em paz". A faixa título, psicodélica na linha da capa do disco, começa densa na bateria tribal e corda de guitarra solta timbrando pesada enquanto os sopros remetem ao arranjo Beatle de I am the walrus. O cantor com cara de bom moço dá tensão responsa nos vocais, inclusive no refrão com falsete - e depois sem. Bad ass.
Ao chegar na metade do álbum, aparece o primeiro acorde de violão. Apenas no finalzinho de A eternizar, que tem sonoridade etérea e vai divagando as metafísicas da vida: "do que somos, pra aonde vamos? / como vão saber agora? / se o que temos é impossível de compreender / demora". Seria o lado mais esotérico do mineiro. Também a recente revelação da cena local engajada (por assim dizer) Juliana Perdigão dá as caras em Nuvem. Ficou um dueto bacanudo se você se liga em efeitos de eco perdurando no final das frases com notas agudas. Eu me liguei. Mas na cadência lenta que alonga cada sílaba pronunciada no verso, entretanto. Nã-ahn. A onda pós Los Hermanos não é comigo.
Curva da noite mistura influência de duas bandas de rock que fizeram sucesso mundial mas estão separadas por algumas décadas. Começa tipo assim e depois do segundo refrão vem um solo mais ou menos nessa linha. Acho bem válido, esse recurso. Ainda mais se o artista/produtor tem banca. Porque sempre tem quem fale de "plágio", etc. Mas a verdade é, se o cara manda, bem mandado, não tem conversinha. E sim Pedro, deu onda. Falando nisso, a guitarrinha que abre Às vezes só também foi malandra. Timbragem woodstockiana sem cair no mutantismo. Fica aí um bom exemplo que distingue "influência" de "cópia": alguém pega uma linha já percorrida e vai adiante, não o contrário.
Contrariando a leveza e pegada grooveada que tomam conta do disco, O grão é exceção introspectiva, arrastada e densa até falar chega. Pedro também tem dessas facetas. E aí vem Ê, camarada! pra fechar no balanço, em tom de crítica social e com direito a alguns versos em rap - e em seguida na versão dubwise de Victor Rice, como bônus track.
O álbum foi lançado pelo selo Oi Música como premiação após o cantor se dar bem e conquistar o 2º lugar por voto popular no Festival Música Pra Todo Mundo (MPTM). Agora mais independente - desvinculou-se da produtora Cria Cultura, ligada aos trabalhos anteriores -, se arrisca em uma direção sonora mais "suja", propositalmente descompromissada e por que não dizer popular. Pedro quer ir além do formato MPB violão&voz, e quem sabe das montanhas da terrinha. Talvez o caminho seja esse, xará.

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