sábado, 19 de outubro de 2013


“Esse nosso mercado da música estava tão parado, tão nada. O que digo agora é que vamos acionar essa cadeia cultural produtiva da música que estava toda arrasada, parada. Novas pessoas, novos talentos vão gravar para gente dar uma mexida no mercado. Acho que é uma questão de justiça”, disse a cantora Rosemary.


Na verdade, discordo um pouco da cantora. A medida vem numa época em que a lógica do mercado musical é diferente. Quem ganhará(?) projeção com produção e venda de CD e DVD continuarão sendo os medalhões da MPB, do sertanejo, do axé, quem sabe algum estouro do funk ou do arrocha. Em outras palavras: o pessoal que já está aí. Ou o do jabá. A maioria de nós, artistas independentes que precisam de incentivo, ainda depende de leis de incentivo[!] caducas. Ou então gravam, produzem e vendem (essas 3 etapas podem ser feitas sem sair de casa hoje em dia) por conta própria. É inegável que o consumo de discos físicos caiu e esse é certamente um caminho sem volta. Primeiramente, por causa dos altos preços impostos pela indústria - ponto que a PEC visa, tardiamente, reverter. Depois, pela mudança no hábito de consumo, que passou a ser digital. Encaremos, o CD é o novo vinil, virou peça de colecionador. Ou então serve para dar de presente (arriscadamente), e no geral é uma versão a mais para o cartão de visitas do artista na mão de produtores. Ganhar dinheiro com venda de CD? Só se for em show ou, quiçá, numa ou outra venda online. Alguns artistas da atualidade chegam a dispensar o formado de álbum, lançando as músicas uma a uma em forma de videoclipe no youtube ou faixa no soundcloud. Atire a 1ª pedra quem não baixa tudo pela internet ou mesmo consome o que quer sem precisar baixar - a nuvem, como sabemos, chegou e está aí. E o consumo pode ser via pirataria ou pagando uma quantia SIGNIFICATIVAMENTE MENOR do que se pagaria no produto físico. Inclusive o material de encarte, que tanta gente gosta da "sensação de ter em mãos", tá disponível pela via digital. E um arquivo de MP3 permite a mobilidade muita maior num ipod da vida do que num discman (isso ainda existe?). Agora, atire a 2ª pedra o artista que não disponibiliza seu material online, e por via 0800. Eu te respondo que artista é esse. É o mesmo que descrevi lá em cima. Claro que posso estar falando besteira e nem tudo é preto no branco. Existem artistas cuja carreira se encontra num estágio intermediário, e esses ainda teriam uma necessidade real que justifica as vantagens do benefício da PEC. Não sei como, não sei quanto, depende da maneira como ele se gerencia. O que quero dizer é que a medida chegou com mais de uma década de atraso, e agora pode ter chegado em vão. Não por coincidência, num momento em que as grandes gravadoras não mais existem e portanto não mais lobbyam. A medida não deixa de ser um avanço, mas esse tipo de processo poderia ser muito mais ágil. Enquanto a politicagem engatinha com os direitos dos artistas, resta a eles fazer como sempre fizeram: se virando como podem. Vivendo de show.

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