Crítica: Be here now - Oasis
Este é o último disco de estúdio lançado antes dos anos 2000 pelo Oasis. Na época, videoclipes veiculando
na MTV eram sinal de que as bandas estavam em alta, e Be here now rendeu quatro deles - um a menos que o anterior What’s the history? (Morning glory),
estouro mundial de vendas. Produzido pelo veterano Owen Morris no lendário Abey
Road, mantém algumas características sonoras adotadas pela banda até então:
guitarrras distorcidas tocando acordes completos ao invés de power chords,
repertório alternando baladas melodiosas com roques mais pulsantes, letras
fáceis de cantarolar e Noel pincelando com sua 2ª voz o vocal agressivo de Liam
em algumas faixas.
O capricho com a mixagem é
uma marca do trabalho. Três das canções que viraram clipe têm arranjos de
orquestra em algum momento (as baladas Stand
by me e Don’t go away, seguidas
pela beatleniana All around the world).
A faixa de abertura D’You know what I
mean - outra que virou clipe - tem quase 1 minuto de introdução ruidosa antes
de ser dado o primeiro acorde: começando pelo ronco de um avião, sucedem vários
sons fabricados com pedais de efeito para formar uma verdadeira sinfonia de
parafernálias auditivas. O video dessa faixa é aquele dos helicópteros, então
não é difícil associar o toque das cordas abafadas na guitarra com wawah de
Noel com as hélices dos veículos de guerra. E então o disco começa com Liam
cantando em uma cadência que é quase rap, em cima de uma batida arrastada que é
quase marcha. O resultado é imponente. Ao final, depois da última pratada de
bateria, mais efeitos sonoros oscilam no stereo, de um lado para o outro,
sugerindo uma paisagem sonora contínua de insolação no deserto ou algo
parecido.
Dentre as mais agitadas, My big mouth mostra espancamento de
bateria e solo de guitarra furioso logo no início. I hope, i think, i know evoca na letra a auto-preservação para pautar rebeldia
(“They’re trying hard to put me in my
place / and that is why I gotta keep running”) e It’s geting better (man!!) fecha o disco em tom de
otimismo. A balada quase western Fade
in-out começa apenas com violões – e
a participação especial de Johnny Depp no slide – para depois ganhar peso estratosférico
com bateria e distorção nas guitarras. Canções mais influenciadas pelos Beatles,
declaradamente a maior referência dos irmãos Gallagher, têm seu lugar no álbum.
Magic pie dá espaço para Noel mostrar
potencial vocal no front mais uma vez. The
girl in the dirty shirt tem temática e arranjos sessentistas modernizados. Em
All around the world as homenagens beiram a caricatura, mostrando que não há pudores nesse quesito – pelo
contrário: são ostentadas com orgulho. Na nave espacial amarela do videoclipe
remetendo ao famoso submarino. Nas modulações harmônicas se estendendo na parte
final da canção. Nos “na-na-nas”. Está tudo lá.
A mixagem carregada no overdubbing durante todo este terceiro álbum da banda produz a sensação de excesso até nas canções “acústicas”. Este é, provavelmente, seu disco mais exagerado, inclusive com a rouquidão artificial da voz de Liam alcançando aqui o limite. É como se todos os recursos de produção usados em What’s the history..., que já era barulhento, fossem exponencializados. Curiosamente, Be here now vendeu, no Reino Unido, 350.000 cópias na primeira semana - um recorde -, mas “apenas” 8 milhões de unidades ao redor do mundo (14 milhões a menos que seu predecessor). A partir daí a sonoridade dos discos de estúdio da banda voltaria a ser mais limpa, sem jamais, porém, proporcionar dois dígitos na casa dos milhões de cópias vendidas. Em parte, porque o Oasis não conseguiu manter o ápice de sua força criativa – embora seu disco Don’t believe the truth (2005) tenha sido aclamado por parte da crítica e público como “o melhor”. Posteriormente veio a era da pirataria na internet e toda a indústria musical foi abalada irreversivelmente. Independente da maneira como a banda tenha passado pelo processo ao longo da última década, é bom lembrar que o disco lançado na época em que artistas eram conhecidos pela divulgação das músicas no rádio e TV é um clássico.
A mixagem carregada no overdubbing durante todo este terceiro álbum da banda produz a sensação de excesso até nas canções “acústicas”. Este é, provavelmente, seu disco mais exagerado, inclusive com a rouquidão artificial da voz de Liam alcançando aqui o limite. É como se todos os recursos de produção usados em What’s the history..., que já era barulhento, fossem exponencializados. Curiosamente, Be here now vendeu, no Reino Unido, 350.000 cópias na primeira semana - um recorde -, mas “apenas” 8 milhões de unidades ao redor do mundo (14 milhões a menos que seu predecessor). A partir daí a sonoridade dos discos de estúdio da banda voltaria a ser mais limpa, sem jamais, porém, proporcionar dois dígitos na casa dos milhões de cópias vendidas. Em parte, porque o Oasis não conseguiu manter o ápice de sua força criativa – embora seu disco Don’t believe the truth (2005) tenha sido aclamado por parte da crítica e público como “o melhor”. Posteriormente veio a era da pirataria na internet e toda a indústria musical foi abalada irreversivelmente. Independente da maneira como a banda tenha passado pelo processo ao longo da última década, é bom lembrar que o disco lançado na época em que artistas eram conhecidos pela divulgação das músicas no rádio e TV é um clássico.


